As redes sociais, novas tendências/instrumentos e participação popular no processo de modernização do espaço urbano.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Cidade: espaço e tempo
A Geógrafa Ana Fani Alessandri Carlos apresenta noções introdutórias para um debate acerca da modernidade nos espaços urbanos.

SANTIAGO (Agência Reuters) Ter, 09 Mar, 06h05
O terremoto que sacudiu o Chile em fevereiro redesenhou os mapas da região, causando um deslocamento de até 4 metros nas zonas próximas ao epicentro, disseram cientistas chilenos nesta terça-feira.
O diretor científico do Serviço Sismológico da Universidade do Chile, Sergio Barrientos, disse à Reuters que a correção do movimento causado pela superposição das placas tectônicas pode levar mais de um século.
"Este foi um grande terremoto, que tem muito deslocamento e envolve muita extensão. Há deslocamentos de até 4 metros perto de Constitución", acrescentou ele, referindo-se à cidade que fica 360 quilômetros ao sul de Santiago e foi uma das mais devastadas pelo terremoto e pelos tsunamis subsequentes.
O tremor de magnitude 8,8 na madrugada de 27 de fevereiro foi o quinto mais violento da história moderna, deixando pelo menos 497 mortos e um rastro de destruição ainda não avaliado por completo.
Os resultados dos estudos com base em medições de GPS feitas em conjunto com especialistas da Universidade Estadual de Ohio (EUA) estarão prontos dentro de um mês. Mas dados preliminares indicam que a cidade de Concepción, segunda maior do país, e também bastante afetada, se deslocou três metros para sudeste. Santiago, a capital, "andou" meio metro.
"Deslocamentos significativos são evidentes em lugares tão a leste como Buenos Aires (de 2 a 4 centímetros) e tão ao norte como a fronteira (do Chile) com o Peru", disse nota da Universidade Estadual de Ohio.
Buenos Aires fica mais de 1.100 quilômetros a leste de Santiago, do outro lado da cordilheira dos Andes.
A energia liberada pelo sismo foi tão grande que, segundo a Nasa, deslocou em cerca de 7,6 centímetros o eixo de rotação da Terra.
O Chile, um dos países mais sísmicos do mundo, está situado diante da linha de contato entre as placas tectônicas de Nazca, no Pacífico, e da América do Sul.
Quando ocorre um terremoto como o de fevereiro, a placa de Nazca escorrega para debaixo da placa continental. Esse fenômeno, que os cientistas chamam de "subducção", provoca o deslocamento para o leste. "O processo inverso demoraria cem anos ou até mais", disse o sismólogo Barrientos.
(Reportagem de Esteban Israel)
Reportagem extraída do Yahoo Notícias em 10/03/10 ás 09:00.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Um pouco de arte: muita reflexão.


A atualidade da arte de Portinari nos remete as reflexões acerca do estado de exclusão a que foram submetidos os pobres (retirantes) de outrora e àquelas as quais estão expostas os de hoje que a cada dia (ver os encaminhamentos dados pela homogenização da sociedade globalizada) mergulham ainda mais no fosso da pobreza.
Um bom ponto de partida para a reflexão do nosso início de semana.
Professor Rafael
sábado, 6 de março de 2010
Artigo - Gilberto Dimenstein
Candidatos, não enganem os jovens
22/02/2010 Folha Online
22/02/2010 Folha Online
Dilma Rousseff comprometeu-se a transformar a juventude em eixo de sua campanha --o que considero um interessante avanço nas campanhas eleitorais. A juventude é nossa maior bomba social. Vale a pena prestar atenção nos sonhos dos jovens, captados pela Datafolha (www.dimenstein.com.br).
O jovem tem, basicamente, três sonhos: 1) emprego, 2) habitação e 3) estudo.
Isso significa que, para não enganar os jovens, os candidatos precisam dizer que a juventude é uma tarefa que envolve diferentes níveis de governo e começa desde o berço.
Afinal, quando chega à adolescência, o indivíduo já está marcado pela inviabilidade. Muitos nem sabem ler e escrever direito.
Investir, de fato, na juventude significa educação em tempo integral, fazendo da escola um polo articulador de ações de cultura e saúde. Significa emergencialmente melhorar a qualidade do ensino médio, hoje uma catástrofe e ligado cada vez mais a cursos profissionais.
O resto não passa de enganação. Ou de obra de marqueteiro.
O jovem tem, basicamente, três sonhos: 1) emprego, 2) habitação e 3) estudo.
Isso significa que, para não enganar os jovens, os candidatos precisam dizer que a juventude é uma tarefa que envolve diferentes níveis de governo e começa desde o berço.
Afinal, quando chega à adolescência, o indivíduo já está marcado pela inviabilidade. Muitos nem sabem ler e escrever direito.
Investir, de fato, na juventude significa educação em tempo integral, fazendo da escola um polo articulador de ações de cultura e saúde. Significa emergencialmente melhorar a qualidade do ensino médio, hoje uma catástrofe e ligado cada vez mais a cursos profissionais.
O resto não passa de enganação. Ou de obra de marqueteiro.
O Perfil do Jovem e as Eleições
Perfil do jovem consumidor brasileiro
A classe média está se tornando cada vez mais consumidora no Brasil. É o que aponta pesquisa feita “Data Popular”. As análises apontam que os jovens de classes C/ D/E serão, já em 2010, uma parcela importante no consumo de produtos.
Para manter a força nas compras, os jovens procuram se estruturar no campo educacional. Enquanto em 2002, 11% dos analisados estavam cursando um ensino superior, o número aumentou em 2009, para 19%.
Mais do que uma preocupação com o grau de escolaridade, estes mesmos jovens estão atentos ao que acontece no mundo da moda e da cosmética. Boa parte dos perfilados consome produtos originais, como por exemplo, tênis. Muitos deles, aliás, estão comprando, pela primeira vez, carro e computador.
De olho neste mercado consumidor, empresas como Nestlé, Casas Bahia e Coca-Cola já preparam ações estratégias para atrair o público.
Folha de São Paulo 02/03/10
O texto extraído do site do jornal Folha de São Paulo, nos mostra a relevância econômica de uma parcela da juventude brasileira que até tempos recentes não era vista sequer como: grupo de risco, excluídos, marginalizados. Entretanto, a nossa reflexão deve ser encaminhada para a relação direta que deve existir entre ascensão econômica e a garantia dos direitos sociais.
Vejamos o que os candidatos tem a dizer sobre o tema, a partir de então formemos a nossa opinião.
A classe média está se tornando cada vez mais consumidora no Brasil. É o que aponta pesquisa feita “Data Popular”. As análises apontam que os jovens de classes C/ D/E serão, já em 2010, uma parcela importante no consumo de produtos.
Para manter a força nas compras, os jovens procuram se estruturar no campo educacional. Enquanto em 2002, 11% dos analisados estavam cursando um ensino superior, o número aumentou em 2009, para 19%.
Mais do que uma preocupação com o grau de escolaridade, estes mesmos jovens estão atentos ao que acontece no mundo da moda e da cosmética. Boa parte dos perfilados consome produtos originais, como por exemplo, tênis. Muitos deles, aliás, estão comprando, pela primeira vez, carro e computador.
De olho neste mercado consumidor, empresas como Nestlé, Casas Bahia e Coca-Cola já preparam ações estratégias para atrair o público.
Folha de São Paulo 02/03/10
O texto extraído do site do jornal Folha de São Paulo, nos mostra a relevância econômica de uma parcela da juventude brasileira que até tempos recentes não era vista sequer como: grupo de risco, excluídos, marginalizados. Entretanto, a nossa reflexão deve ser encaminhada para a relação direta que deve existir entre ascensão econômica e a garantia dos direitos sociais.
Vejamos o que os candidatos tem a dizer sobre o tema, a partir de então formemos a nossa opinião.
De olho nas eleições
Caros Visitantes
Iniciamos agora uma série de publicações que denominamos de "De Olho nas Eleições". Esta série será composta de artigos, vídeos e demais canais de comunicação que retratem de uma maneira criativa, crítica e contextualizada os temas abordadas pelos principais candidatos aos cargos eletivos na esfera estadual e nacional.
Estamos de olho nas eleições, pois estamos de olho no futuro.
Saudações Cooperativistas
Professor Rafael
Iniciamos agora uma série de publicações que denominamos de "De Olho nas Eleições". Esta série será composta de artigos, vídeos e demais canais de comunicação que retratem de uma maneira criativa, crítica e contextualizada os temas abordadas pelos principais candidatos aos cargos eletivos na esfera estadual e nacional.
Estamos de olho nas eleições, pois estamos de olho no futuro.
Saudações Cooperativistas
Professor Rafael
segunda-feira, 1 de março de 2010
Estamos com fome de amor.
Arnaldo Jabor e mais uma dentro
Estamos com fome de amor...
(JORNAL O DIA! Arnaldo Jabor)
O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.
E não é só sexo não!
Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalísticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodé, brega, famílias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!
Estamos com fome de amor...
(JORNAL O DIA! Arnaldo Jabor)
O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.
E não é só sexo não!
Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalísticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodé, brega, famílias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!
O luxo rompe as fronteiras
Conheça a mastige, a tendência que une a extrema sofisticação com a produção em massa
Por Roberta Locatello | 26.08.2005
Revista EXAME -
Na nova loja da Daslu, templo do luxo erguido em São Paulo, grifes tradicionais como Louis Vuitton, Prada, Gucci e Armani convivem com típicas representantes do consumo da classe média, como Gap, Banana Republic, Iódice, Forum, Triton e Richards. Pode-se também encontrar um caríssimo tailleur Chanel, a mais prestigiada das marcas de alta-costura, exposto praticamente ao lado de cadeirinhas de palha para decoração, vendidas a 45 reais, e de camisetas cujo preço não passa de 100 reais. A Daslu reproduz um fenômeno que vem ocorrendo em todo o mundo -- a diluição gradativa dos limites entre a sofisticação extrema e o consumo de massa. É o que vem sendo chamado de mastige, um neologismo surgido da união do prefixo mass com o sufixo prestige, e que poderia ser traduzido como prestígio para as massas. Em meio a esse movimento, tradicionais e seculares grifes se "democratizam", produzindo itens acessíveis ao bolso de camadas da classe média. Marcas de consumo de massas, por sua vez, tentam fazer incursões pelo rentável mercado do luxo. É a síntese de dois mundos do consumo.
As montadoras são adeptas de primeira hora do mastige. O A3 e o A4, por exemplo, levaram a montadora alemã Audi à classe média. As séries 1 e 3 fizeram o mesmo pela BMW. São produtos talhados especialmente para aqueles que desejavam mas não podiam consumir tais marcas. O mastige abre o leque de consumo e permite que mais gente desfrute da experiência da marca. Gera conhecimento e desejo, numa corrente que, no final, resulta em mais vendas. Isso sem que os lucros fiquem comprometidos. Produtos mastige custam até três vezes mais do que similares que não levam a assinatura de uma grife de luxo. Pesquisa da consultoria Boston Consulting Group mostra que esse novo consumidor do luxo é um comprador eventual, disposto a pagar mais do que seria recomendável por produtos que lhe garantam altas doses de conforto, segurança ou emoção. É graças a esses novos consumidores que empresas como Louis Vuitton, Christian Dior e Dolce & Gabbana, entre outras, vêm acumulando dígitos duplos de crescimento a cada ano. A rede americana Starbucks, com seus cafés especiais, aumentou as vendas em 30% no ano passado.
Ao mesmo tempo, fabricantes de alguns produtos vistos há décadas como populares tentam conquistar o coração e o bolso dos consumidores de alto poder aquisitivo. Foi com essa estratégia que as sandálias Havaianas, da Alpargatas, conquistaram a classe média alta no Brasil, os clientes da Bloomingdale's nova-iorquina e até dos clubes de lojas reservadas no Japão, onde os modelos oferecidos são cravejados de cristais Swarovski e custam até 236 dólares. No Brasil, o exemplo mais recente desse movimento é a coleção de roupas assinada pelo estilista Walter Rodrigues, um ícone da alta-costura nacional, lançada em maio passado pela rede de varejo C&A. Rodrigues desenhou 40 modelos para a C&A, num total de 150 000 peças. "É mais do que produzi em 13 anos de carreira", afirma ele. A idéia foi um sucesso e fez com que a rede repetisse a dose: em junho, lançou a coleção das estilistas Paula Raia e Fernanda de Goeye, da butique paulista Raia de Goeye. Da mesma forma, a rede de varejo H&M, presente em 20 países, lançou uma coleção assinada pela alma criativa da Chanel, o estilista Karl Lagerfeld. Outra, com 35 itens, foi encomendada à estilista Stella McCartney. Em ambos os casos, foi adotada a estratégia batizada de massclusivity, ou exclusividade massificada, se é que isso é possível. O objetivo é chamar a atenção da clientela com um número limitado de peças com assinaturas glamourosas, vendidas por um prazo determinado a preços razoáveis. O efeito tem sido a formação de filas de consumidores, enlouquecidos com a possibilidade de levar para casa algo especial.
A fórmula que mistura glamour e preços acessíveis está na origem do sucesso da rede de varejo espanhola Zara, presente em mais de 700 países, entre eles o Brasil. Seu fundador e presidente, o espanhol Armando Ortega Gaona, percebeu que ao oferecer as duas coisas ao mesmo tempo estaria preenchendo uma necessidade emocional de determinada categoria de clientes. "Chamamos tudo isso de democratização do luxo", diz Michael Silverstein, sócio-diretor da Boston Consulting Group e um estudioso do tema. "O mercado está se bifurcando. Haverá vencedores entre os produtos no topo e na base da pirâmide e morte aos que ficarem no meio." Segundo ele, o consumidor de classe média é inteligente e individualista. Compra como se estivesse com uma calculadora na mão, procurando preços baixos naqui lo que não percebe valor e pagando caro por produtos que lhe garantem satisfação. Age também como verdadeiro apóstolo das marcas. "São eles que valorizam a história da marca, romanceiam sua tradição e patrimônio e colam a elas virtudes emocionais e mesmo espirituais", afirma o consultor. "Compõem o paraíso dos profissionais de marketing." Com consumidores eventuais e produtos diferenciados, o mercado só faz crescer. Pesquisa do Boston Consulting Group com 15 empresas americanas que adotaram o mastige mostra que a margem de crescimento anual de vendas atingiu 18%, bem acima da média de 5%.
Essa tendência favoreceu a proliferação das marcas de luxo em segmentos variados. A Montblanc, por exemplo, saiu das canetas para pastas e bolsas de couro, relógios, abotoaduras e acessórios para escritório. A área de hotéis atraiu nomes do mundo da moda. A Diesel abriu o seu em Miami, com diárias a partir de 135 dólares. "São empresas que podem crescer e lançar seus tentáculos horizontalmente apenas pela força de suas marcas", diz o consultor Carlos Ferreirinha, da MCF Fashion. Segundo ele, o fenômeno do mastige, ao mesmo tempo que abre oportunidades, coloca um desafio adicional às empresas de alto luxo. "Como a base olha para cima e tenta imitá-la e o topo quer a maior distância possível, as grifes de luxo tiveram de aumentar suas ofertas de produtos caríssimos", diz Ferreirinha. Assim, com agilidade cada vez maior, as empresas lançam produtos de preços estratosféricos, como a Ferrari Super América, de 2 milhões de dólares, ou o colar de diamantes de 1 milhão de dólares produzido pela H.Stern e usado pela atriz Angelina Jolie na última festa do Oscar.
Tudo isso se tornou possível porque os ícones do luxo reinventaram seu modelo de negócios. As antigas empresas familiares e maisons com produção artesanal passaram a ser conglomerados mundiais. Também conseguiram apropriar-se de técnicas do consumo de massa, como a publicidade e os grandes investimentos em lançamentos, ao mesmo tempo que mantiveram a sensação de exclusividade e a produção de itens artesanais de alta qualidade. Souberam esparramar produtos por todo o planeta, mas continuaram fazendo com que seus compradores se sentissem únicos. Exploraram o que o filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esteve recentemente no Brasil, definiu como sendo uma necessidade do mundo atual: o luxo fascina porque preenche uma busca pela sensação de longevidade numa sociedade em que tudo é descartável e passageiro.
Por Roberta Locatello | 26.08.2005
Revista EXAME -
Na nova loja da Daslu, templo do luxo erguido em São Paulo, grifes tradicionais como Louis Vuitton, Prada, Gucci e Armani convivem com típicas representantes do consumo da classe média, como Gap, Banana Republic, Iódice, Forum, Triton e Richards. Pode-se também encontrar um caríssimo tailleur Chanel, a mais prestigiada das marcas de alta-costura, exposto praticamente ao lado de cadeirinhas de palha para decoração, vendidas a 45 reais, e de camisetas cujo preço não passa de 100 reais. A Daslu reproduz um fenômeno que vem ocorrendo em todo o mundo -- a diluição gradativa dos limites entre a sofisticação extrema e o consumo de massa. É o que vem sendo chamado de mastige, um neologismo surgido da união do prefixo mass com o sufixo prestige, e que poderia ser traduzido como prestígio para as massas. Em meio a esse movimento, tradicionais e seculares grifes se "democratizam", produzindo itens acessíveis ao bolso de camadas da classe média. Marcas de consumo de massas, por sua vez, tentam fazer incursões pelo rentável mercado do luxo. É a síntese de dois mundos do consumo.
As montadoras são adeptas de primeira hora do mastige. O A3 e o A4, por exemplo, levaram a montadora alemã Audi à classe média. As séries 1 e 3 fizeram o mesmo pela BMW. São produtos talhados especialmente para aqueles que desejavam mas não podiam consumir tais marcas. O mastige abre o leque de consumo e permite que mais gente desfrute da experiência da marca. Gera conhecimento e desejo, numa corrente que, no final, resulta em mais vendas. Isso sem que os lucros fiquem comprometidos. Produtos mastige custam até três vezes mais do que similares que não levam a assinatura de uma grife de luxo. Pesquisa da consultoria Boston Consulting Group mostra que esse novo consumidor do luxo é um comprador eventual, disposto a pagar mais do que seria recomendável por produtos que lhe garantam altas doses de conforto, segurança ou emoção. É graças a esses novos consumidores que empresas como Louis Vuitton, Christian Dior e Dolce & Gabbana, entre outras, vêm acumulando dígitos duplos de crescimento a cada ano. A rede americana Starbucks, com seus cafés especiais, aumentou as vendas em 30% no ano passado.
Ao mesmo tempo, fabricantes de alguns produtos vistos há décadas como populares tentam conquistar o coração e o bolso dos consumidores de alto poder aquisitivo. Foi com essa estratégia que as sandálias Havaianas, da Alpargatas, conquistaram a classe média alta no Brasil, os clientes da Bloomingdale's nova-iorquina e até dos clubes de lojas reservadas no Japão, onde os modelos oferecidos são cravejados de cristais Swarovski e custam até 236 dólares. No Brasil, o exemplo mais recente desse movimento é a coleção de roupas assinada pelo estilista Walter Rodrigues, um ícone da alta-costura nacional, lançada em maio passado pela rede de varejo C&A. Rodrigues desenhou 40 modelos para a C&A, num total de 150 000 peças. "É mais do que produzi em 13 anos de carreira", afirma ele. A idéia foi um sucesso e fez com que a rede repetisse a dose: em junho, lançou a coleção das estilistas Paula Raia e Fernanda de Goeye, da butique paulista Raia de Goeye. Da mesma forma, a rede de varejo H&M, presente em 20 países, lançou uma coleção assinada pela alma criativa da Chanel, o estilista Karl Lagerfeld. Outra, com 35 itens, foi encomendada à estilista Stella McCartney. Em ambos os casos, foi adotada a estratégia batizada de massclusivity, ou exclusividade massificada, se é que isso é possível. O objetivo é chamar a atenção da clientela com um número limitado de peças com assinaturas glamourosas, vendidas por um prazo determinado a preços razoáveis. O efeito tem sido a formação de filas de consumidores, enlouquecidos com a possibilidade de levar para casa algo especial.
A fórmula que mistura glamour e preços acessíveis está na origem do sucesso da rede de varejo espanhola Zara, presente em mais de 700 países, entre eles o Brasil. Seu fundador e presidente, o espanhol Armando Ortega Gaona, percebeu que ao oferecer as duas coisas ao mesmo tempo estaria preenchendo uma necessidade emocional de determinada categoria de clientes. "Chamamos tudo isso de democratização do luxo", diz Michael Silverstein, sócio-diretor da Boston Consulting Group e um estudioso do tema. "O mercado está se bifurcando. Haverá vencedores entre os produtos no topo e na base da pirâmide e morte aos que ficarem no meio." Segundo ele, o consumidor de classe média é inteligente e individualista. Compra como se estivesse com uma calculadora na mão, procurando preços baixos naqui lo que não percebe valor e pagando caro por produtos que lhe garantem satisfação. Age também como verdadeiro apóstolo das marcas. "São eles que valorizam a história da marca, romanceiam sua tradição e patrimônio e colam a elas virtudes emocionais e mesmo espirituais", afirma o consultor. "Compõem o paraíso dos profissionais de marketing." Com consumidores eventuais e produtos diferenciados, o mercado só faz crescer. Pesquisa do Boston Consulting Group com 15 empresas americanas que adotaram o mastige mostra que a margem de crescimento anual de vendas atingiu 18%, bem acima da média de 5%.
Essa tendência favoreceu a proliferação das marcas de luxo em segmentos variados. A Montblanc, por exemplo, saiu das canetas para pastas e bolsas de couro, relógios, abotoaduras e acessórios para escritório. A área de hotéis atraiu nomes do mundo da moda. A Diesel abriu o seu em Miami, com diárias a partir de 135 dólares. "São empresas que podem crescer e lançar seus tentáculos horizontalmente apenas pela força de suas marcas", diz o consultor Carlos Ferreirinha, da MCF Fashion. Segundo ele, o fenômeno do mastige, ao mesmo tempo que abre oportunidades, coloca um desafio adicional às empresas de alto luxo. "Como a base olha para cima e tenta imitá-la e o topo quer a maior distância possível, as grifes de luxo tiveram de aumentar suas ofertas de produtos caríssimos", diz Ferreirinha. Assim, com agilidade cada vez maior, as empresas lançam produtos de preços estratosféricos, como a Ferrari Super América, de 2 milhões de dólares, ou o colar de diamantes de 1 milhão de dólares produzido pela H.Stern e usado pela atriz Angelina Jolie na última festa do Oscar.
Tudo isso se tornou possível porque os ícones do luxo reinventaram seu modelo de negócios. As antigas empresas familiares e maisons com produção artesanal passaram a ser conglomerados mundiais. Também conseguiram apropriar-se de técnicas do consumo de massa, como a publicidade e os grandes investimentos em lançamentos, ao mesmo tempo que mantiveram a sensação de exclusividade e a produção de itens artesanais de alta qualidade. Souberam esparramar produtos por todo o planeta, mas continuaram fazendo com que seus compradores se sentissem únicos. Exploraram o que o filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esteve recentemente no Brasil, definiu como sendo uma necessidade do mundo atual: o luxo fascina porque preenche uma busca pela sensação de longevidade numa sociedade em que tudo é descartável e passageiro.
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